Na Minha Estante: Here comes the sun – A Jornada Espiritual e Musical de George Harrison

 

Eu costumo dizer que alguns livros simplesmente me escolhem. Este foi um desses. Que num dia, em uma visita à casa de amigos, me encantou e eu não quis largar. Levei pra casa emprestado, coisa que não gosto de fazer. Nunca tinha lido absolutamente nada sobre The Beatles, muito menos sobre George Harrison. Achava essa Beatlemania louca um exagero, sequer conhecia muitas músicas, embora gostasse das que conhecia. Mas quando pus as mãos nesse livro, fui apresentada à história de quatro garotos ingleses que não tinham nada a perder, mas o mundo a ganhar e isso me fez começar a pensar diferente.  Ao mergulhar na história de um deles, eu fui capaz de compreender. Eu amei George desde o primeiro capítulo, e pode ser a coisa mais brega que você vai ler hoje, ainda mais tendo eu lido apenas essa obra e nem conhecendo muito sobre os outros 3, ele com certeza é o meu Beatle favorito. Uma criança embarca numa aventura sem volta, escala a vida com seu desejo de fazer música, chega ao topo do mundo. Sexo, drogas e Rock. E lá em cima descobre que há coisas mais importantes que ser alvo de gritos histéricos de fãs adoradores, ganhar muito dinheiro e ser o alvo das atenções. Sua fé me ensina sobre a minha fé. Sua devoção e curiosidade intensas, busca pelo Deus que ele tanto acreditou. E depois, uma maturidade e aquela alma tranquila, que aceitou as tempestuosas situações que teve que passar. George era único, pessoas como ele são raras e preciosas, devem ser muito bem guardadas, eu mesmo conheci muito poucas assim. Sua musicalidade nasceu com John, Paul e Ringo, mas só deu sinais de florescer quando ele começou a não se conformar mais com o mundo e o caminho que todos queriam que ele seguisse. Esse livro mudou minha ideia sobre os Beatles, mas principalmente me apresentou esse músico e cantor, que com certeza levarei comigo sempre. Acho que essa é a maior homenagem que posso dar, levar sua música comigo.

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Pré-Wedding e gratidão

 

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No dia em que fizemos esse ensaio, eu fiquei muito chateada, não com você, mas comigo. Eu nunca tinha feito nem visto nada parecido, e não sabia exatamente o que fazer. Você deve se lembrar, tem memória melhor do que a minha, eu estava completamente dura naquele dia. Eu era uma esquisita, com maquiagem estilo drag e um vestido chamativo andando no meio da rua. Nada foi como eu havia pensado que seria. Nós saímos improvisando no meio do caminho, e eu estava meio perdida. Mas eu gosto dessa foto, porque nesse momento você me pegou pela cintura e me disse que eu estava linda, e me fez esquecer que tinha um Henrique segurando a câmera me esperando pacientemente, enquanto eu tentava me concentrar e esquecer da vergonha que eu estava sentindo, principalmente porque eu não sabia o que fazer. E então eu pude olhar nos seus olhos e entender o por quê de nada no nosso casamento, na nossa vida ser muito convencional. Acho que as coisas convencionais nunca foram lá a minha paixão, mas eu achava que no meu casamento, tudo iria ser exatamente perfeito, e nada menos que isso. E portanto, tudo seria feito por profissionais, estaríamos rodeados de gente que recebe muito pra fazer um casamento, pq é assim que se faz um casamento hj em dia – COM MUITO DINHEIRO. Mas então eu entendi naquele segundo, a única coisa que importava: nós. Quando tudo acabou, e o baque das notícias ruins passaram (porque tudo o que soubemos da festa, no primeiro momento, foram coisas ruins), eu percebi que nosso casamento foi muito especial. Que não estávamos inundados em dívidas, que nosso casamento não foi no lugar mais chique, com o jantar mais requintado, e absolutamente não deu TUDO certo, mas foi único. Estávamos absurdamente rodeados de pessoas maravilhosas, que não mediram esforços pra trabalhar mesmo não recebendo tudo o que deveriam (alguns não recebendo nada!). Quando eu conto como nossos amigos ajudaram no casamento, como nossos padrinhos foram atenciosos e prestativos, e em como todos com sorriso no rosto vieram me cumprimentar… Talvez alguém ali não tivesse sido bem servido, no fim, os guardanapos nem chegaram às mesas, talvez alguém ali não tivesse gostado dos atrasos, da comida ou do bolo, sempre há um defeito, mas eu vi sorrisos, não porque estava tudo perfeito, era porque pessoas queridas estavam se reunindo para celebrar o amor e a vida. E é como se todos os dias eu recebesse esse puxão seu, pra me lembrar do porque estamos aqui, e eu só preciso de você comigo, pra esquecer das coisas que me assustam, pra me sentir segura de novo e não precisar mais me preocupar porque eu sei que no fim, tudo vai dar certo.

Compartilhando coisas boas

 

Em um mundo de incertezas e dúvidas, em que tudo que acreditamos parece fadado a se desmanchar no ar, uma coisa é sólida e certa: sempre haverá material inédito dos Beatles para ser descoberto, lançado, degustado e comemorado. Sejam gravações, produtos, souvenires ou imagens, a sede pela maior banda de rock de todos os tempos […]

via Confira estas fotos raras dos Beatles clicadas entre 1964 e 1966 — VIVIMETALIUN

Música e Tatiana Belinky

Ao falarmos de infância, precisamos lembrar das coisas que envolvem esse universo paralelo ao dos adultos, e que mesmo que tenhamos todos viajado nele, às vezes não sabemos compreender. A literatura infantil é uma portinha colorida que faz um convite à criança para descobrir e compreenderem como é a vida e que elas não estão sozinhas em suas dificuldades. Quando bem exposto, um texto infantil, ajuda a criança a estender seu vocabulário e seu repertório de conhecimento, familiarizando-a com as letras, sílabas e palavras. Existe uma frase, que a Prefeitura de São Paulo escolheu para adornar o material escolar a ser distribuído, (em algum ano que eu não sei exatamente qual é) que diz: “Quem lê sabe porquê”. Essa frase me chama a atenção até hoje por sua verdade absoluta. E quando uma criança me pergunta contrariada, a razão da necessidade da leitura, eu me lembro dessa frase e do quão poderosa ela é.

Eu conheci a Tatiana Belinky (uma grande autora russo brasileira de literatura infanto-juvenil, roteirista e tradutora de grandes obras russas e a responsável pela primeira adaptação para a televisão de O Sítio do Pica-pau Amarelo), muito antes de conhecer os livros infantis escritos por ela. O livro Transplante de menina: Da rua dos Navios à rua Jaguaribe, é o livro que conta o processo de imigração da sua família da perspectiva da autora, que na época era uma criança. Eu não imaginava que a mesma autora que me fascinou aos 12 anos com seu relato amável e descontraído, seria autora de grandes obras infantil as quais admiro e utilizo sempre que posso no dia-a-dia dentro das convivências da escola.

E no ano passado eu conheci um projeto da cantora Fortuna em parceria com Helio Ziskind e Gabriel Levy, que usou os livros de Belinky para compor um CD de 14 faixas, todas contando histórias selecionadas em forma de música, com ritmos e letras contagiantes. Eu amei o projeto assim que o conheci. Trata-se de um material riquíssimo, e nos traz milhares de possibilidades em sala de aula. Produzido em 2012, pela gravadora SESC (CDS e DVDS), ganhou seu DVD em 2015, gravado no próprio SESC em SP. O DVD registra a participação do público e de integrantes do Coro Cênico da Terceira Idade do Sesc Consolação e conta ainda com videoclipes dirigidos por Tata Amaral e ilustrados pela artista plástica Suppa.

Espero um dia apresentar um projeto feito em sala de sala de aula feito através das obras de Tatiana Belinky com pontes feitas através das músicas deste CD maravilhoso.

Não desistir

A gente precisa continuar acreditando: que vale a pena ser honesto. Que vale a pena estudar. Que vale a pena trabalhar. Que é preciso construir: a vida, o futuro, o caráter, a família, as amizades e os amores.

Lya Luft

A linha entre continuar e escolher pelo fim é tênue. Em um segundo estamos bem, no outro já estamos pensando em como acabar com tudo, e de repente a possibilidade de parar de viver e simplesmente se trancar num quarto deixa de ser remota. Acontece que a vida adulta é assim, de uma hora pra outra somos obrigados a encarar o mundo e ele não dá trégua. Mas eu me arrisco: essa é a graça da vida. A gente sabe que tem coisa ruim no mundo, e as vezes nós somos “a coisa” ruim, não é mesmo? Mas não podemos parar de tentar. Não podemos desistir de seguir, mesmo que estejamos caminhando contra uma tempestade de areia. Mesmo que sejamos os peixes indo contra o cardume. Mesmo que haja uma multidão contra nós, mesmo que essa multidão seja só as barreiras que nós mesmos criamos pra não acreditar que pode dar certo. A gente cresce aprendendo que o que importa é o caminho e não a chegada, e quando as coisas no caminho não andam bem costumamos pensar em desistir. Querido, o caminho vale MUITO apena, mas não esqueça do fim. Não se esqueça do que te fez chegar até aqui. Não se esqueça do que te fez começar e não desista do fim. Não desista das pessoas que você ama, e não desista de si mesmo. Não desista de fazer o que é melhor, o que é certo. Não desista da honestidade. Não desista da caridade. Não desista da fé. As vezes a gente dá a cara nos muros da vida, mas sempre dá pra derrubar ele com gentileza e com amor. E quando não der, porque nem sempre vencemos, erguemos a cabeça e continuamos. Afinal, mesmo das coisas ruins que a vida nos dá, podemos fazer uma limonada e continuar a nossa caminhada.