Mil Sóis

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Tudo o que já amei na vida, eu amei com todas as forças. Nunca fui adepta à metades, talvez por isso tudo era tão difícil. Talvez seja simplesmente porque as coisas tenham que ser mais difíceis para alguns. Mas a verdade é que nunca me incomodei com isso. Sempre gostei de sentir intensamente, nunca vi graça em sentir pouco. Isso quase me fazia respirar e transbordar um ar diferente das pessoas ao meu redor. Ouvir música era como me transportar, escrever era como transbordar, cantar até ser parte da música. Sempre foi assim. E quando eu encontrei o amor pela primeira vez, daqueles amores imaturos e irresponsáveis, sofri e como sofri! Vivia intensamente até as coisas que nunca saíram da minha cabeça. Até que então decidi aceitar amar alguém tão improvável na minha vida… E o amo, com toda a intensidade de mil sóis.
Mas quando se trata de mim, o amor sempre foi frio. Sempre tive uma relação muito dura comigo mesma. Cresci aprendendo a exigir a perfeição, nunca dos outros, sempre de mim. Guardava comigo, como um lembrete na parede do coração, que tudo o que era ou acontecia de ruim estava comigo e que as pessoas só podiam ser boas. Minha adolescência foi marcada pela culpa, porque além de errar, eu tinha certeza que os problemas da minha casa e da igreja a qual eu frequentava eram consequências dos meus erros. Havia um terror pairando sobre mim, à medida que eu crescia, que eu nunca conseguia dissipar. E à medida que o tempo foi passando, fui me esquecendo, me deixando de lado. Tudo aquilo que não damos a alguém que amamos, eu me oferecia. Falta de compreensão, não atentar-se às dores, às mágoas, não ouvir, exigir demais, até xingar, machucar… Eu tinha um relacionamento abusivo comigo mesma. Quando não obtinha êxito em algo importante pra mim, em meios as lágrimas e xingamentos, desistia antes mesmo de ir até o fim. Me julgava tão incapaz de qualquer feito que muitas vezes antes mesmo de começar algo, eu já desistia. Me acostumei a perder sem tentar.
Amor próprio é uma coisa que se constrói, e eu estou em construção. Confesso que tenho medo das intensidades com as quais eu lido com tudo. Tenho medo de me amar a ponto de não me enxergar, e sim um ser perfeito, que obviamente não existe. Mas à medida que vou caminhando e aprendendo, observo que aceitar-se só tem benefícios. Confesso não ser boa aluna da vida. Demoro a aprender, sou lenta e erro muitas vezes com o mesmo erro. Mas estou aprendendo. Estou aprendendo que antes de qualquer coisa, o nosso amor precisa florescer de dentro pra fora. Que se enxergar com bons olhos faz bem e se permitir ser feliz é o maior refrigério da alma. Depois de tanto tempo amando a vida, estou aprendendo a vivê-la e com a intensidade de mil sóis.

Furacão

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Não sou escritora, mas as vezes uso as palavras pra jogar pra fora as turbulências e calmarias que se passam aqui dentro. Desta vez a sensação é de que estou parada no meio do furacão, sem conseguir ao menos dar um passo. Tudo me leva a crer que terei que retroceder e encontrar outros caminhos. E neste frenesi, sinto algumas faíscas me acertando, outras me penetram e se acomodam. E então, os dias em que a sensação é de o furacão estar em mim. Quando dentro de mim, uma explosão acontece e do chão vejo que o furacão na verdade, ainda foi materializado dentro de mim. Mas é impressionante como Ele faz tudo perfeito. Nos momentos em que sinto que sinto não ter um ombro à quem chorar, nos momentos em que sinto a tempestade dentro de mim trovejando com estrondosa força, sinto a mão daquele a quem amo. E então vejo que ele está ao meu lado, e quando percebo o toque da sua mão na minha, o seu olhar no meu, de repente sinto o furacão se silenciar por algum tempo, e dentro do seu abraço sinto tudo simplesmente parar no ar. Então aprendo que neste furacão cabem dois, por que sozinha eu sucumbiria num só segundo. Entendo que tudo passará, se de mãos dadas continuarmos a olhar para Ele. Desta vez, meu coração sente paz, mesmo tendo pernas cansadas, mesmo sabendo que haverão dias talvez até piores, porque sei que tudo, tudo um dia findará, mas mais ainda porque sei que sempre terei seu coração junto ao meu.

Cristo vê

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Hoje, mais uma vez, depois de muito tempo, eu volto às linhas, lar de onde nunca deveria ter saído. E mais uma vez, volto por causa da 7º arte. Certa vez, escrevi sobre resiliência após assitir um filme que me ensinou o poder dessa palavra quando se tem uma missão. Mas hoje eu venho falar de coisas que ainda não fazem completo sentido pra mim. Coisas da mente, coisas da vida.
Existem, em cada um de nós, segredos obscuros, traumas e medos, grandes ou pequenos que nos acercam em nossa vida. E nós, ao enxergarmos de perto ao outro, em sua totalidade, o condenamos de pronto, sempre por suas obscuridades, não é? E se enxergássemos as nossas? Acontece que o assunto é outro. Consideremos pois as tais obscuridades alheias. Pense na mais terrível delas. Pense em algo, para você, injustificável, imperdoável, inadmissível. Pensou? Pense se você seria capaz de cometer tal ato. Não? Obvio que não.
Agora pense no contexto familiar de quem o cometeu. Conseguiu? Agora pense no contexto psicológico, cada pequeno trauma na escola, cada pequena obscuridade nascida de insignificantes insultos, desentendimentos, coisas que “não foram nada”. Cada pormenor, cada ínfimo detalhe faz parte da construção de um ser. E é por isso que talvez você nunca o entenda. É porque você não consegue enxergar as pequenas coisas, e as vezes nem as grandes coisas que construíram as obscuridades desse alguém.
Sei que é um texto muito simplista, para algo complexo demais. Faltam-me palavras e ainda sabedoria para lhe fazer ir a fundo. Mas quero que considere, tudo o que você jamais viu, tudo o que ninguém vê, isto, Cristo vê.

Resiliência

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Eu acredito que histórias são contadas para nos ensinar algo, e ao contrário do que se pode imaginar, talvez elas sejam a melhor forma de ensinar as coisas essenciais para a vida. Acredito em histórias porque acredito no ser humano, e acredito em nós como formadores de histórias. E até as estórias, surgem de histórias. E é por isso que vou contar o que uma história em forma de 7 arte me ensinou hoje, ela me ensinou o que é resiliência, e algumas palavras mais. Meus olhos têm sido abertos para uma dura verdade, para mim, difícil de se lidar, eu não sou mais aquela garotinha sonhadora, e como disse aquele que tem me aberto os olhos para mim mesma desde que somos um casal, não sou mais aquela mocinha idealista. Hoje sou realista, não como os realistas desejam, mas estou me encontrando no mundo mais do que na Utopia das coisas belas. E, preciso dizer, o mundo não é belo dessa ótica. Eu saí da montanha e adentrei o mundo, e agora sou alguém dentro dele.
Mas sabe, esse filme me lembrou da antes de tudo, sobre a importância de se sonhar sonhos bons para o mundo. Eu não consigo viver aqui e simplesmente ignorar tudo aquilo que me rodeia, o incomodo pra mim é confortável, é melhor. Fui lembrada dos ideais que habitam em mim, e eles se despertaram em mim. A realidade ensinou coisas importantes à criança que vos escreve. Ela ensinou que não se pode mudar o mundo sozinha. Me ensinou que o mundo e as pessoas são duras, e quanto maior o poder, menos humanidade encontramos. Me ensinou que nada nunca será perfeito, mas pode ser melhor. Eu, que desejava lecionar para jovens, hoje estudo para educar crianças. Mas nem por isso, deixarei de lutar por aquilo que eu amo e nasci para fazer. Seguirei lutando pela educação no meu país, porque o amo e não o deixarei.
E então… A resiliência. Enquanto escrevo isso, na sala da minha casa, ouço jornalistas da Rede Globo de Televisão falarem sobre mais uma reviravolta no processo de Impeachment da nossa atual presidente, ou presidenta, como queiram. Enquanto ouço isso, sou lembrada de que meu país hoje vive uma política e economia caóticas, instáveis e longe de uma solução. Mas esse filme me ensinou que não poucos se colocaram contra aqueles que sonham sonhos bons para o seu país. Nem todos pensarão como você e sempre haverá aqueles que se porão contra apenas por estarem muito bem acomodados em suas posições privilegiadas. Mas a resilência que a realidade anda me proporcionando, me permitirá sonhar alto. Na minha luta pela educação, não haverão armas, não haverá esquerda, não haverá direita. Mas haverá protesto. Em forma de sala de aula. E eu defenderei os bons sonhos que sonho para este país. E parafraseando um dos melhores escritores da educação dos quais fui presenteada com a leitura, terei prazer em plantar minhas flores num jardim chamado educação, e meu maior sonho, é que elas cresçam e sejam parte do NOSSO grande jardim, do NOSSO grande país.

‎9‎ de ‎maio‎ de ‎2016

Eu vou me casar!

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A gente acha que sabe de tudo sobre relacionamento até que vem um ser e coloca uma aliança de ouro na sua mão direita… Tudo muda, os sonhos se renovam, e novos problemas desembarcam. Eu queria poder dizer que noivado é um mar de rosas, que tudo é como um grande e real ensaio fotográfico de Pré Wedding… Quem me dera! Mas eu aprendi muitas coisas nesse caminho até aqui. Mas a melhor das lições, que é quase o meu mantra de tanto que repito isso pra todos os desesperados que encontro é: No final tudo dá certo! Hoje eu sou uma pessoa mais tranquila, mais confiante, mais paciente e amorosa porque parei de perder tempo pensando no que pode dar errado e no que os outros vão pensar disso. E eu sei que tudo vai dar certo, porque eu tenho um Deus que é tão misericordioso, que me prometeu que tudo seria do jeito Dele. Foi Ele, desde o começo que quis essa união. Por isso eu posso descansar e aproveitar o momento, e tudo está sendo perfeito! Até os imprevistos e tenho certeza de que continuará sendo, porque tudo o que Deus faz é perfeito!

 

 

Sobre ser professora

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Todos os dias eu descubro novos motivos para ser educadora. Cuidar de alguém que há tão pouco tempo chegou no mundo é algo maravilhoso. Eu não conhecia o gosto das brincadeiras, dos diálogos, dos sorrisos. Mas a cada dia, eu me apaixono mais.
Sei que quando os anos passarem e eles conhecerem o mundo da juventude, quase nada ou nada do que eu tiver dito a eles nas nossas aulas será lembrado. E ao contrário daquilo que eu faço agora, a palavra literal não importa muito. Importa mesmo é carinho, cuidado. Isso fala alto na educação infantil. Gritos? A gente grita amor. Importante é saber entender, saber rir e soltar boas gargalhadas. A gente tem que aprender a brincar pra ensinar. E tem que saber que haverão dias em que um não vai querer participar da brincadeira. E de maneira nenhuma isso me dará motivo para expô-lo ao ridículo. Não estar afim é um direito do ser humano. Mas meu papel como professor é incluir a todos, e fazer com que todos conheçam o seu valor.
É bonito saber que estou recebendo a valiosa oportunidade de pincelar algumas telas. Sei que é uma missão muitas vezes dura de se realizar. Mas antes de formar cidadãos, eu quero saber que meus alunos sairão da minha aula como pessoas que saibam viver a vida. Talvez não sejam os mais ricos, os mais bem sucedidos, mas o meu orgulho estará em vê-los a sorrir pra vida, em vê-los se aceitarem, e principalmente ao vê-los sendo eles mesmos. Não vou pra sala de aula com molduras prontas. Eu não dito regras. Eu mostro o caminho. Meu papel não é obrigar, é educar e amar. E tenho orgulho, muito orgulho da vista privilegiada que terei. De assistir os primeiros passos, primeiros erros, primeiros acertos, primeiras lições de pessoas que serão o futuro do nosso país. Minha missão é formar gente que saiba viver, e ensinar que no mundo pode existir amor e paz. Mas que amor e paz vem da gente e não dos outros. Tarefa fácil? Nunca foi, não mudará agora. Os muitos problemas do nosso país já me mostram que não será fácil educar. Mas a minha paixão pela educação me faz querer lutar. E eu encerro as minhas poucas palavras com aquele trecho da música do grande Toquinho, que dizia que “…Vamos ter que cuidar bem desse país”.

Keila Vieira

Estou voltando

 

Escrever sempre foi minha paixão secreta. Toda a beleza das palavras tomando forma sob minhas mãos, essa magia, e ter o poder de expressar-se, expor tudo. Tudo costumava ser mais fácil, quando eu era menor. Eu não precisava pensar muito antes de colocar no papel exatamente o que eu sentia. Era como se eu tivesse certeza de qual seria a próxima palavra, e a próxima, e a próxima… E elas vinham ao lápis quase tão rápido que era como se transpassassem correndo minha mente, em busca de um lugar seguro. Hoje eu preciso pensar. As vezes paro diante de uma tela, sentindo muito, sem nada conseguir escrever. E tanto passei por isso que acabei desistindo. Foi e está sendo a época da minha em que eu tive que aprender a ter voz. Serviu para que eu amadurecesse e aprendesse que existe um mundo fora de mim, e não é nada sereno como eu imaginava que seria. Um mundo que atinge a minha paz interior com suas armas mais poderosas, sem piedade nem clemência. Mas eu precisava aprender a lidar com ele. Afinal é o lugar onde pertenço agora. Estou aqui, e sinto um anseio impetuoso de viver. E a escrita me movimenta. Deus sabe como por muito tempo senti-me imóvel. Mas escrever para mim, é como sentir o movimento da vida dentro de mim. É a forma mais palpável de sentimento. É a mais singela declaração de amor à Vida. Pois se estou aqui, se respiro, devo viver, e como disse a nossa querida Clarice: “[…] O resultado fatal de eu viver é o ato de escrever.”.